quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

UMA BREVE BRISA
(07/12/2014)

De repente aparece um raio
Pensa-se que tudo pode mudar
O raio é, na verdade, uma brisa
Uma brisa incapaz de abalar

É fato que se trata de uma brisa forte
Linda, cheirosa e incompreensível
Capaz de trazer, inclusive, a morte
Digo, o fim de algo insubstituível

Na cadeia das prioridades deve-se
Primeiramente, levar com a razão
A plenitude de todo amor despejado
Para não machucar o puro coração

O difícil nesses dias é o discernimento
Que deve ser feito a torto e a direito
Porque trazer mágoa ao sentimento
Representa trair a quem te dá mais respeito

Ah, se o amor fosse mesmo fácil
Se o coração respeitasse a razão
Nada seria tão ilógico como a vida

Nem haveria tanta dor ao coração.
CARTA AO RIO 2014
(07/12/2014)


Rio, sem palavras para te descrever
Você me maltrata, me chuta e esfola
Sumo, vou para longe, noutro amanhecer
Mas que saudade da música de Cartola!

Ai eu volto, mais depressa que um susto
Mais arrependido que uma andorinha
Disposto a, de novo, tentar a todo custo
Trabalhar e ser feliz com minha pretinha

Ai o tempo passa como avião
Rápido, tenso e desafiador
Me canso de ti e com razão
Trânsito, pivete, samba e calor

Vou embora para outro entardecer
Mas, peraí, samba é meu amor
Será que devo voltar e arrepender?
Ou fingir ser um bom ator?

Ah, meu tenso Rio de Janeiro!
Me trate melhor ao menos dessa vez
Para eu poder amar-te por inteiro
E nem tratar-te com tamanha insensatez.